segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

PARIS, 1982

Pois é, Chegava eu pela primeira em vez em Paris , lá pelos idos de 1.982, do alto dos meus 27 anos.
Só consegui ir a Paris com essa idade, pois como bom classe média baixa, não deu para ir antes.
Além do que, naquela época, que a ditadura claudicava, mais as dificuldades no Brasil que eram jurássicas, sequer para ir ao Rio de Janeiro, quanto mais para Paris. Era tanto visto, e tanta burocracia para levantar moeda estrangeira, que nem te conto, um parto!
A moeda era ainda na Europa para cada país, uma. Na França era o tal de Franco ( falta de imaginação. Por aqui já tinha tido uma meia duzia de nomes). Uma moeda que valia 5 vezes menos que o dolar. Era um tal de moeda prá lá, e sobra de troco pra cá, que o desperdício era total. Depois nós é que desperdiçamos. Balela....
Pois bem, larguei tudo, faculdade, trabalho e fui para Inglaterra fazer um curso de Ingles e marketing. Santo subdesenvolvimento, Batman! Ó a merlin que eles tão !!! E depois disso, fui fazer um giro pela Europa, que não conhecia, com o epicentro em Paris. Ó que fresco!
Me achando.
Mas quando chego no Charles De Gaulle, tudo em greve.... Pra variar.
Na alfândega, o serviço era de plantonista, uma bosque....
Quando o funcionáriozinho francês me atende no guichê ( palavra francesa que até hoje é usada - colonialistas de merca..) e olha meu passaporte, e quando vê que é brasileiro grita ( sim literalmente grita, jamais me esquecerei da tara dele) ..."brasilien, ulalá, brililuililililili ( uma tentativa de reprodução onomatopéica da língua do infeliz balançando para mim) e dizendo ..carnavale, rio de janerrô, uhlalá.
A sacanagem tá solta por lá, esses índios pelados e devassos, é o que com certeza este animal francês, reprimido, cartesiano complexado estava a pensar. FDP, tarado !
Me senti, nos mais recônditos e escondidos segredos da minha alma, como um personagem importante da obra de Dante Alighieri, no capítulo "Inferno", numa orgia sideral.
Além de colonialistas, são injustos esses franceses. Mal sabem o que rola por aqui, nestes trópicos.
Desde então, minha relação com os franceses, até por não serem comerciais., tem sido apenas culinária e musical, e olhe lá.
Agora ver esse Sarkozi ( que falam Sarkozí), que não passa de um segregador, sendo ele oriundo do povo armênio, este sim, injustiçado, perseguido, trucidado e quase que exterminado, mandar e desmandar na França, fazer jogo triplo, com USA, China, Irã, Iraque, fugir da raia, dar uma de bacana e quando acuado, fazer que não é com ele, me faz pensar que Charles De Gaulle nessa hora está dando piruetas no túmulo, ou que o sacrifício de Napoleão no Líbano e Síria foi em vão. Mas se deixar seduzir e permitir que a Carla Bruni seja a "francesa" da vez é demais. Bonita ela é e parece que manda também na França.
Viva Marie Antoiniette!
Viva Edith Piaf!"
Vamos mudar a letra da Marselhesa! pÔ....

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